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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Palimpsesto polido de um diálogo sobre a verdade...

O que quer que se entenda por "verdade", seja ela um operativo lógico de assentimento, uma categoria da razão, um conceito obscuro, um significado profundo das coisas, a adequação de um relato à percepção de um fato, qualquer dessas coisas, cada um de nós está sempre significando algo com o termo "verdade", não é verdade?
A "verdade" existe simplesmente pelo FATO de ela existir na linguagem, e enquanto ente ligüístico opõe-se necessariamente à "falsidade", estabelecendo com esse termo uma relação antonímica (esse termo faz sentido? ... poderia usar "antônimo" ou até "antinômico" para provocar uma referência).
Pra mim o lugar da "verdade" é relativamente simples, não tem muito mistério. Não estou afirmando, entretanto, que conheço o significado da "verdade" ou se ela é absoluta, universal ou relativa, se é de natureza espiritual, se essa tal natureza espiritual é oposta ou não à natureza physiológica (com phy mesmo) e assim por diante. Digo que o lugar da verdade é relativamente simples porque sem ela não poderíamos usar nem mesmo a linguagem, tornaríamo-nos Crátilos apontadores?! A "verdade" é um fato exposto, é a condição sine qua non, por exemplo, de você ler uma placa de trânsito, identificar um pacote de macarrão no supermercado, dizer que ama sua esposa...
O problema, tal como o vejo agora, começa quando se afirma que a "verdade é uma mera invenção"... De fato, como tudo que é humano, justamente por ser humano, é resultado de um processo inventivo, entretanto, freqüentemente o que acontece é a identificação desse caráter inventivo com a idéia de que "se a verdade é uma invenção ela pode ser uma mentira".
Se a verdade (e note que não estamos falando mais do que significa "verdade", mas de sua estrutura), por ser uma invenção, pode ser considerada mentirosa, então decorre necessariamente o fato de que não existe verdade, não é verdade? Pois se a verdade pode ser falsa, mesmo quando algo for verdadeiro poderá, ainda assim ser falso, não é verdade?
Em outros termos é o mesmo que afirmar que "toda verdade é relativa" ou que "a verdade é uma só mas cada um vê de um jeito". Ora, se for "verdade" que "toda verdade é relativa", então a própria proposição é "relativa" - justamente por ser verdadeira - o que implica, haveremos de convir, que ela poderá ser "falsa". Em miúdos, "toda verdade poderá ser falsa porque toda verdade é relativa". Se "a verdade é uma só mas cada um a vê de um jeito", então o meu "jeito de ver" pode achar que "a verdade é uma só e só eu a vejo". Se você parte da premissa de que toda "visão da verdade" é verdadeira, não há como negar uma "visão da verdade" que julgue ser "a única visão verdadeira", não é verdade?
Partindo dessa perspectiva, como poderemos afirmar que estão mentido aqueles que negam a existência do Holocausto, como fez o Armadinejad, ou que incorrem em um erro histórico aqueles que procuram segregar, que fomentam a guerra como política de Estado, que se afiliam e sustentam toda forma de preconceitos e corrupções e demagogia?
Acredito, meu caro, nutrido com 10ml de platonismo, 5ml de ceticismo e 5ml de pragmatismo, que verdade é verdade, falsidade é falsidade, prosa é prosa, poesia é poesia, fantasia e ritmo e geometria e lógica e tudo mais que é o mesmo de si mesmo (soou como Aristóteles, foi não?), é igualmente humano, inventado, factuado, e nem por isso é falso... tudo tem seu lugar de fruição e significado. Precisamos debater mais, quem sabe agora sobre o significado da verdade... Mas agora eu cansei... foi bom pra mim, e pra você?

Um comentário:

  1. Gostei muito do blog!!!

    dê uma olhadinha no meu também, eu e mais dois amigos estamos com uma projeto bem legal, são as histórias da "Menina da Cabeça de Bola".

    http://movieaddictsz.blogspot.com/

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